Conheça as histórias da “Amandinha”, cadela que foi adotada e ajudou tutora a se recuperar de um luto; e da Brisa, que pratica esporte junto com sua tutora. Médica-veterinária explica os cuidados com a saúde e alimentação de pets com deficiência
Quando falamos em espírito de superação entre os atletas com deficiência isso não se restringe apenas às pessoas. Não são só os humanos que mostram sua incrível força e resiliência, no mundo dos pets, cães e gatos com deficiência também enfrentam desafios diários, e muitos deles se destacam como verdadeiros atletas em suas próprias jornadas.
É o caso da cadela Amandinha, que, após sofrer um atropelamento, precisou amputar as duas patas da frente, mas hoje vive uma vida feliz e ativa ao lado de sua tutora, que a adotou assim que soube de sua história.

“Eu vi a história da Amandinha na internet e me emocionou muito, tive uma ligação total com ela. Desde o primeiro momento decidi adotá-la. Isso foi em 2019 e de lá para cá ela vem transformando muita coisa na nossa vida. A Amandinha vem mostrando cada dia mais superação, ela cresceu, engordou. Hoje ela usa uma cadeirinha de rodas para os passeios, faz fisioterapia, acupuntura. Eu faço tudo para melhorar a qualidade de vida dela. É um amor tão grande que chega a doer o coração”, explica Glícia Oliveira, moradora de São Paulo.
Ela ainda conta que adotar a cachorrinha fez toda a diferença na superação do luto pela perda do marido. “Eu já tinha outras três cachorrinhas que também sempre vinham me fazer carinho quando eu estava triste. Mas eu chorava todos os dias quando eu acordava. E desde agosto de 2019, quando passei a ver a caminha da Amandinha do lado da cama, eu não choro mais. Ela sentava na caminha e olhava para mim com um olhar de gratidão, hoje ela dorme comigo na cama”, conta. Recentemente, Glicia também adotou outro pet com deficiência, a Nuna, que foi resgatada após a tragédia com as chuvas no Rio Grande do Sul, em abril deste ano.

Os desafios do abandono
Casos como o da Glicia não são tão comuns, isso porque pets com deficiência são mais propensos a serem abandonados do que aqueles sem deficiência. Mas, de acordo com Juliana Valverde, presidente da ONG GAVAA, que atua resgatando animais das ruas e encaminhando para adoção, inclusive abrigou, cuidou e atuou em todo processo de adoção da Amandinha, os tutores precisam se livrar do preconceito. Organizações como a GAVAA têm trabalhado para mudar essa percepção.
“Como atuamos diretamente com animais que estão em situação de vulnerabilidade nas ruas, é comum termos muitos resgatados atropelados e que acabam ficando cadeirantes ou perdendo alguma das patinhas. Temos muitas histórias de finais felizes de animais com deficiência adotados e que levam uma vida linda e absolutamente normal com seus tutores. Muitas vezes as limitações estão na nossa mente, pois os animais possuem uma capacidade incrível de adaptação a novas condições físicas e motoras. Temos muitos animaizinhos com deficiência esperando por uma chance”, explica Juliana.
Atualmente, a ONG abriga cerca de 300 animais e, para alimentar todos eles, recebe a ajuda de Guabi Natural, uma das marcas de pet food da BRF Pet, pioneira no segmento Super Premium Natural. A parceria, que já dura quatro anos, possibilitou doar mais de 90 toneladas de alimentos para cães e gatos resgatados. De acordo com o Instituto Pet Brasil, 5% da população pet no país são Animais em Condição de Vulnerabilidade (ACV), o que representa 3,9 milhões de pets.
Pets com deficiência também têm histórias de superação com a prática de atividades físicas
Assim como os atletas paralímpicos, os pets com deficiência enfrentam obstáculos que vão além daquilo que se vê à primeira vista. Muitos cães e gatos que sofreram amputações, nasceram sem membros, ou perderam a mobilidade por conta de doenças, além de outros tipos de deficiência, continuam a viver vidas ativas e saudáveis, mostrando que a deficiência não define suas capacidades. Alguns, inclusive, acompanham seus tutores nas atividades físicas e também são atletas.
É o caso da Brisa, cachorrinha da Fernanda Milani. Juntas, elas costumam praticar corridas pelas ruas do Rio de Janeiro. Segundo Fernanda, a deficiência visual da Brisa não limita que ela tenha uma vida cheia de energia.


“Brisa chegou na minha vida como um furacão e desde então os dias são um mix de caos e muito amor. Com uns sete meses, uma semana depois de ter sido adotada, ela teve um problema que causou um edema nos olhos e a fez perder grande parte da visão, e desde então me ensina diariamente sobre superação e adaptabilidade. Quando corremos juntas, a deficiência visual dela é praticamente irrelevante. Quando ela corre sozinha em algum espaço para cães, ela precisa de um tempo para se ambientar e ‘descobrir’ todos os obstáculos, mas depois desse mapeamento do local, ela corre mais do que a maioria dos cachorros que estão juntos (e que enxergam 100%)”, explica Fernanda.
Segundo Mayara Andrade, médica-veterinária especializada em nutrologia da BRF Pet, assim como os humanos, os animais se adaptam às suas condições com a ajuda de fisioterapia, equipamentos como cadeiras de rodas adaptadas e muita dedicação de seus tutores.
“É claro que dependendo da deficiência os tutores vão precisar realizar algumas adaptações para o conforto do pet, mas os cuidados com a saúde e alimentação para que vivam uma vida saudável e ativa são os mesmos. E um dos pilares mais importantes para a saúde e longevidade de cães e gatos é a nutrição. A dieta deles deve ser adequada em calorias, proteínas e gorduras, dependendo de suas demandas energéticas”, explica, lembrando que a reabilitação também é outro ponto essencial para garantir a qualidade de vida desses pets, “para que eles continuem a correr, brincar e, em alguns casos, competir em esportes adaptados para animais”, completa.
Além disso, a especialista recomenda que os tutores busquem orientação profissional para adaptar o ambiente doméstico e garantir que o pet tenha acesso fácil à água, comida, e áreas de descanso.
Turmalina e Tyr nossos xodós
A Turmalina foi uma das responsáveis pelo o Felinodelia existir. Resgata ainda filhotinha e sem dentes, junto com mais dois irmaozinhos, seus antigos tutores não sabia como alimentá-los. De São Paulo, a irmã da tutora (hoje a única humana da equipe editorial ainda em atividade) enviou uma receita de leite sucedâneo por email que até hoje é nosso post mais lido.
Em 2014, infelizmente nossa residência foi atacada de madrugada enquanto a antiga tutora de Turmalina trabalhava em um bar. Ao chegar em casa, o gracioso gatil estava destruído e Turmalina estava deitada perto do meio fio da calçada. Imediatamente levamos ao pronto socorro e só soubemos no dia seguinte que ela havia sido baleada por um tiro de chumbinho na coluna.
Segundo os veterinários que a atenderam não havia como fazer uma cirurgia, mas talvez ela pudesse ter uma melhor qualidade de vida com fisioterapia e acunpuntura. Mas andar novamente com as patinhas traseiras seria quase que impossível.
Fizemos uma cadeirinha de rodas com uma empresa especializada, mas ela não se adaptou. Mas aí está a Turmalina até hoje vivendo agora em uma casa toda adaptada para evitar novos traumas, porque não pense que ela deixou de ser gata só por causa do incidente. Ela se arrasta por todo lado.
Já usou fraudas, já teve escaras e já teve que fazer curetagem na vulva. Mas hoje ela já se adaptou tão bem que não mais se machuca quando se locomove, “pede para ir ao banheiro” e por isso decidimos tirar a frauda para evitar as cistites de repetição.
Outro cuidado que temos é sempre fornecer ração para trato urinário para evitar a formação de calculos na bixiga, pois em 2019 ela chegou a ter mais de 40 pedrinhas. Mas com o atendimento que recebeu do Dr Paulo e a Dra Fernanda do Consultório Veterinário Santa Luzia, conseguiu dissolver todas sem necessidade de cirurgia.
Já o Tyr foi resgatado na nossa calçada em uma época de fortes temporais em 2017. Magrinho ele sempre mancava, mas como era muito arisco, nunca conseguíamos ver o que ele tinha nas patas dianteiras.
Conseguimos atraí-lo com sachês para dentro e só de fato entederiamos sua má formação no dia em que conseguimos castrá-lo. Anestesiado, vimos que a pata direita era mais curta com poucos dedinhos na ponta e a esquerda bem mais comprida com a pata mais desenvolvida do que o normal e com os dedinhos todos tortos.

Ainda hoje é ressabiado, não gosta de colo e exige um tratamento a distância (rezamos aqui para que nunca fique doente grave). Mas está sempre próximo e também gosta de brincar com o Diego, seu melhor amigo.
Nomeamos de Tyr porque como ele é muito branquinho e pegou nossa fase de homenagear os deuses e santos em busca de proteção, fomos buscar na mitologia nórdica, o deus Æsir do combate, do céu, da luz, dos juramentos e, por isso, patrono da justiça, precursor de Odin. Reza a lenda que Tyr perdeu a mão direita ao colocá-la na boca do deus-lobo Fenrir, que era a única forma de fazer o lobo ser preso nas cordas.
Como temos muitos animais, fazemos questão de mostrar aos outros que não tem deficiência, o quanto Tyr e Turmalina são especiais para evitar as brigas com os mais frágeis. E eles entedem e respeitam esses limites. Nossos xodós.
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