Faz parte da tradição das festas juninas soltar fogos de artifício e acender a fogueira no meio da agitação das barracas de brincadeiras e guloseimas. Os fogos dão um brilho especial à festança, mas há várias razões para se abolir de vez o costume.

O primeiro motivo é que o barulho causado pelas bombas aterroriza os pets, que têm a audição muito mais apurada que a do ser humano.

Isso pode levar a crises nervosas, convulsões, fugas e até à morte, no caso dos cães com doenças cardíacas.

“Nas festas juninas e comemorações como finais de campeonatos
esportivos importantes, além das festas de fim de ano, se faz amplo uso de fogos e rojões. Percebemos um aumento nos relatos de fuga, acidentes graves e fatais de animais”, afirma Silvana Andrade, presidente da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA).

“Muitos, em seu desespero, são atropelados, enforcam-se na guia, se machucam severamente na tentativa de escapar. É perfeitamente possível divertir-se sem desrespeitar o direito dos outros seres vivos. Muitas cidades no mundo e, inclusive, no Brasil, já aboliram fogos com barulho. Não há tradição ou beleza que justifique os danos causados a quem não pode se defender”, acrescenta.

Fogos de Artifício podem causar surdez em crianças

O som forte produzido durante a queima dos fogos também pode causar danos irreparáveis ao sistema auditivo dos indivíduos.

Pode acontecer a perda de audição severa, uni ou bilateral, temporária ou – nos casos mais graves – definitiva e irreversível.

O principal sintoma de que algo está errado é o aparecimento imediato de zumbido.

Os bebês e crianças pequenas correm ainda mais riscos, como explica a fonoaudióloga Marcella Vidal, da Telex Soluções Auditivas.

“A imaturidade auditiva dos primeiros 18 meses de idade pode fazer com que haja lesão na cóclea – órgão localizado na orelha interna – se a criança for exposta a sons muito altos ou passar muito tempo em
ambiente barulhento. Essa lesão pode passar despercebida no momento da festa. No entanto, pode dar início a um processo de perda de audição, uma vez que as células auditivas, quando morrem, não são repostas pelo organismo“, explica Vidal, que é especialista em audiologia.

As crianças podem manifestar, no choro, o que estão sentindo. O pior
é que na maioria das vezes os pais não se dão conta do estrago que os fogos podem ter acarretado ao sistema auditivo de seus filhos.

“Nesta época de festas juninas há muitos casos de perda de audição
unilateral, em apenas um dos ouvidos, até mesmo em adultos. O maior problema é a intensidade de som dos fogos em um curto espaço de tempo. O prejuízo é imediato se estivermos muito perto. O sintoma mais recorrente é o zumbido, transtorno que atinge milhões de pessoas no mundo. Se depois do estampido dos fogos houver zumbido ou sensação de ouvido tampado é preciso procurar logo um médico otorrinolaringologista para avaliar a extensão e gravidade do dano auditivo”, esclarece a fonoaudióloga da Telex.

Distância segura de fogos de artifício

Por isso é tão importante ficar longe dos fogos, uma vez que o ruído
– principalmente o dos rojões – pode atingir mais de 120 decibéis,
mesmo a uma distância superior a três metros de onde o artefato está sendo aceso.

O limite seguro de exposição aos sons é de 85 decibéis, de acordo com os especialistas.

Para maior segurança, os adultos devem ficar pelo menos a 20 metros da explosão dos fogos, enquanto as crianças devem ser mantidas a uma distância de 50 a 60 metros.

O comércio já oferece opções de fogos de artifícios que não emitem
som.

E algumas cidades do país, como o Rio de Janeiro, já proíbem o
uso de fogos de artifícios que produzem barulho maior do que 85
decibéis.

Deste modo, podemos apreciar o brilho e as cores dos fogos no
céu sem o incômodo do barulho, poupando a todos nós de transtornos e riscos de perda auditiva.

Já ele, ficou foi cego em plena adolescência depois de um acidente com fogos de artifício

O palestrante Gabriel Metzler há 21 anos empreende uma luta pela
conscientização sobre os perigos desta “brincadeira”.

Em 1998, com 15 anos sofreu um grave acidente com explosivos e como consequência das graves lesões, teve perda total da visão do olho direito e parcial do olho esquerdo, além de rompimento dos tímpanos e ferimentos pelo rosto e tórax.

Em 2015, ainda em função do acidente, ele perdeu totalmente a visão. O amigo que estava junto de Metzler não resistiu ao acidente.

Levantamento elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com a SBCM – Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão e a SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, aponta que nos últimos 21 anos, o Brasil registrou 218 mortes por acidente com fogos de artifício.

 “Continuo nesta luta intensa. Fundei e coordeno o  Grupo Alerta Vida – GAV, trabalho voluntário que tem como objetivo conscientizar as pessoas dos riscos do manuseio inadequado de explosivos”, explica Gabriel.

Esse trabalho foi premiado internacionalmente pela UNESCO, através da participação no Fórum Internacional Sonhadores do Milênio (Millennium Dreamers), realizado nos Estados Unidos, em 2000.

Desde o ocorrido, além dos trabalhos de conscientização, Gabriel
empreendeu um difícil caminho: o de superação das limitações e
dificuldades para conquistar vitórias.

Hoje, com extenso currículo e atuação na área de liderança e gestão, tendo concluído cursos em instituições Como Harvard, ele viaja pelo Brasil, inspirando pessoas a se superarem.

“Fatos como esse nos obrigam a pensar que é a maneira como vamos olhar que vai definir tudo o que vem pela frente.  É como uma cicatriz. Ela pode ser olhada com um olhar de dor ou batalha vencida. Você não pode fazer com que ela desapareça, mas pode mudar a maneira como olha para ela. Podemos usar esse exemplo para todo tipo de acontecimento, tanto para os bons como ruins”, disse.

Além das palestras, Gabriel possui um canal no youtube, onde conta como, através das suas experiências e análise de situações atuais, incentiva as pessoas a lançarem “um novo olhar para a vida”, assunto que é tema de seu livro lançado ano passado, intitulado “Um Novo Olhar Para a Vida.”

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