Por Julianna Santos

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Minha família não gostava de gatos. Havia uma lenda até de minha bisavó tinha quebrado um de seus muitos resguardos, porque um gato caiu do telhado na cama dela… Minha mãe tinha alergia. Meu pai dizia que bicho prende muito a gente… E assim até os meus 24 anos eu só tive cachorros.

Foi então que no Carnaval de 2000, meu namorido da época decidiu de vez que teríamos um gato. Fiquei meio assim com ele, porque quando fomos morar juntos, ele não quis que eu levasse nenhum dos meus quatro cachorrinhos junto… E assim chegou a Victoria Regina em nossas vidas. Uma pet shop no Bexiga, em São Paulo fazia um trabalho bem legal pra aquela época: eles não vendiam bichinhos, eles doavam, desde que você pagasse o valor da vacina.

No dia mesmo em que ela chegou (cabia na palma da mão) ela já escolheu com quem dormir… comigo! Eu fiquei meio insegura no começo, porque eu nunca tive gatos, e sempre tive medo deles, etc e tal. Mas ela, pequenina daquele jeito, e muito aos poucos, foi me conquistando, me propondo brincadeiras, se aninhando para ver TV e grudando na minha roupa na hora que eu ia sair.

Já são 13 anos juntinhas, inesgrudáveis. Só quando viajo é que nos separamos, às vezes, nem assim: uma vez tive que levá-la comigo para o Rio porque era janeiro e todo mundo tava de férias, não tinha com quem deixar. Ponte área supertranquila, parecia que tava era curtindo o passeio… Minha cliente amou de cara, meus colegas de hospedagem também, parecia que era mesmo uma de nós.

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Victoria Regina tem esse fascínio sobre as pessoas. Em São Paulo, recebia muita gente. Não tem nenhum dos meus hóspedes que não me pergunte por ela. Mesmo minha mãe que é alérgica, depois de conviver com a Vivi já abrigou vários gatos em seu quintal. É ela hoje quem fica com ela aqui em casa quando viajo. Meu pai tem 3 gatos em casa, todos adotados, e visita a gente sempre, (a Vitória ama ele de paixão e acho que é recíproco). Meu irmão é casado com uma verdadeira protetora de animais: são sete cachorros e três gatos vivendo em completa harmonia. E minha irmã, autora desse blog nem se fala: pelas mãos dela já passaram mais de 20 filhotinhos…

Mas enfim a coisa toda era pra dizer o que eu aprendi com a Victoria Regina:

Antes de tudo dê importância a si mesmo: acho que é do animal isso aí. Não tem tempo ruim pra Vivi quando ela quer colo ou comida, ela quer e pronto. Ela se impõe. Deita no seu colo empurrando as coisas. Desliga seu PC com golpes suaves de cabeça na tomada. Deita em cima do teclado do notebook. Fica horas ao lado da geladeira esperando a ração molhada. Dá soquinhos com as patas para te acordar. Porque se não fosse assim, meu bem, acho que realmente seria difícil conseguir as coisas por aqui.

Intimidade se ganha, se conquista: não tem essa de passar a mão nela não. Ela escolhe quem e quando pode. Inclusive quem não gosta de gatos! Parece que ela quer é sacanear a pessoa. Se a pessoa quer muito, ela não deixa, foge, e às vezes até avança, dependendo da insistência… Assim, ela grava na pele e no coração do rejeitado aquela paixão violenta. Já aqueles que tem medo ou receio, ela faz questão: cheira a barra da calça, senta no colo, escala a barriga, fareja o nariz e olha lá, bem no fundo dos olhos…O jogo dela é ganhar a presa, bem devagarinho,rs.

O que é bom para você, pode não ser tão bom para os outros, então, providencie seus esconderijos: isso era mais quando ela era filhote. O que é uma bolinha de papel para você? Lixo? Para Victoria Regina deveria ser coisa bem valiosa porque tinham várias reunidas em baixo da estante na sala… Hoje mais velhinha e rabujenta, ela não tem mais o que esconder, ela quer sossego, então, ela se esconde do mundo…Deixa a gente quase louca procurando.

Elegância e sofisticação é uma questão de atitude: assim sem nada, nua em pelo, ela desfila pela casa com muito charme e carisma. Não mia por qualquer coisa, adora limpeza e é muito exigente. Acho que esse tópico combina com o próximo:

Orgulho, teimosia e chantagem devem ser usados com moderação para atingir seus objetivos: não sei se ela aprendeu isso com os humanos, ou se é “gatice” dela mesmo, quando tá muito frustrada com alguma coisa, tipo “quero muito ficar na beira da janela” ela se “fecha” no quarto…Senta de costas pra mim. Arranha o sofá…Dá certo: paro o mundo e negocio vantagens.

Enfim é aprendizado diário. Creio que tem muita gente que aprende com seus gatos também. Já faço aqui um convite para os meus amigos, fã de felinos para contar o que aprenderam com seus gatos: Patrícia Porto, Aian Honorato, Von Victor, Francilene Perez, Ligia Carloti, Lucimara Siqueira, Adriano Riva, Laila Kuttner, Sophia Pinheiro, Luiz Félix, minha outra irmã Luana Carla, minha cunhada Raquel Cipriano, Sheila Pessoa, Paula e João Aguiar, Lara Cunha e aqueles que não me lembro agora… Ajudem-nos a mostrar que os gatos são sim bons companheiros!!!

Um comentário em “Victoria Regina quem me adotou

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