A vacinação é a única estratégia possível para manter os animais protegidos contra a doença, que não tem cura
No dia 28 de setembro, comemora-se o “Dia Mundial da Raiva”, que tem por objetivo o de aumentar a conscientização de toda população, além também de fortalecer a prevenção, controle e o surgimento de casos de raiva.
Contudo, pouco se fala sobre os perigos desta doença e como ela age no organismo dos animais. A raiva é uma doença infecciosa viral aguda que acomete mamíferos, incluindo o homem. É causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rabdhoviridae.
A raiva humana já foi diagnosticada em cerca de 150 países, com aproximadamente 60 mil mortes por ano, sendo a maioria em países subdesenvolvidos. Neste ano, no Brasil, já foram confirmados 11 casos de morcegos positivos para a raiva. Em 2023, o Ministério da Saúde notificou um caso de raiva em um cão na cidade de São Paulo (SP). O animal foi contaminado pela variante de morcego. Esses dados reafirmam a importância de vacinar os pets anualmente para protegê-los.
Como ocorre a transmissão da doença aos pets? O contágio direto acontece por três vias: troca de secreções, contato sanguíneo ou mordida, sendo a última a via mais comum de infecção. Além disso, a doença também pode ser transmitida de forma indireta. Ou seja, o pet pode ser contaminado ao lamber ou morder um objeto que teve contato com um animal com raiva. Caso tenha um ferimento na pele que entre em contato com secreções contaminadas, ele também pode se infectar. Com relação ao período de transmissão, nos cães e gatos, ocorre a eliminação do vírus pela saliva entre 2 e 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos, e a disseminação ocorre durante toda a fase de evolução da doença.
No ciclo urbano da enfermidade, o cão é considerado o principal responsável pela infecção humana, correspondendo a cerca de 95% dos casos, seguido pelo gato. No Brasil, o morcego é a forma mais importante de transmissão da enfermidade na cadeia silvestre, mas também são considerados reservatórios importantes nesses ambientes o chacal, o coiote, o gato do mato, o cangambá, a raposa, o guaxinim, o mangusto e os macacos, dentre outros. Ainda nas zonas rurais, a doença também pode acometer animais de produção, como bovinos e equinos, entre outras espécies.
A penetração do vírus da raiva no organismo geralmente ocorre no local da mordedura, arranhadura ou contato com material infeccioso, geralmente saliva. Depois, o vírus se replica pelo organismo até atingir o cérebro, causando uma série de reações neurológicas. “A doença age no sistema nervoso central e evolui de forma progressiva. Dessa forma, o animal contaminado perde o domínio de sua capacidade física e psíquica, tornando-se irritadiço, agressivo e descoordenado em todos os sentidos”, explica a médica-veterinária e gerente de produto da Unidade de Animais de Companhia da Ceva Saúde Animal, Marina Tiba.
A salivação excessiva, um dos traços mais conhecidos da raiva, é apenas o primeiro sinal apresentado pelos cães, que manifestam os sintomas da doença de 3 a 6 semanas após o contágio.
“Nos primeiros dias, os animais apresentam mudanças repentinas no comportamento, como medo, ansiedade, excitação ou depressão. Outra característica é que os animais se tornam agressivos e apresentam alterações nos reflexos. Essa fase dura, em média, quatro dias; após esse período, os sintomas neurológicos se acentuam. O cão pode apresentar dificuldade para engolir, salivação excessiva, falta de coordenação nos membros e paralisia. É nessa fase que a salivação excessiva começa”, detalha Marina.
A sintomatologia clínica no cão e no gato pode se apresentar de três formas: raiva furiosa, paralítica e silenciosa. A raiva furiosa é caracterizada por inquietação e agressividade do animal, que pode atacar a outros, ao homem ou a qualquer coisa que se movimente, além de apresentar anorexia, disfagia, coma e morte. Na forma paralítica, ao contrário da furiosa, o animal tende a se isolar e se esconder em locais escuros (fotofobia), com possibilidade de paralisia dos membros posteriores, e a progressão clínica normalmente leva o animal ao óbito. Na raiva silenciosa, ocorrem manifestações clínicas inespecíficas da doença; o indivíduo se isola e geralmente vem a óbito sem que se proceda ao diagnóstico conclusivo para a enfermidade.
A raiva não tem cura e não existe tratamento para a enfermidade, sendo, dessa forma, fatal para os animais afetados. Ao suspeitar que o pet está contaminado, o tutor deve buscar ajuda profissional imediatamente.
Por isso, realizar a vacinação contra a raiva é extremamente importante. No caso dos filhotes, é indicada a imunização a partir do quarto mês de vida. Já os animais adultos devem ser vacinados anualmente. Essa imunização pode ser feita em postos permanentes das prefeituras ou em estabelecimentos veterinários.
“É importante reforçar que a vacinação é uma ferramenta de prevenção contra doenças indispensável na vida dos pets. Os tutores devem realizar a revacinação anual contra a raiva e seguir o calendário de imunização estabelecido pelo médico-veterinário. Atrasar ou não realizar a imunização do pet o deixará vulnerável ao contágio pelo vírus da raiva e por outros agentes”, reforça Marina.
A prevenção da raiva requer um esforço contínuo para garantir que os pets estejam adequadamente vacinados e protegidos contra a exposição ao vírus. Além disso, a conscientização e a educação sobre a doença ajudam a proteger não apenas os animais, mas também a saúde pública.
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