A doença renal crônica (DRC) em animais de estimação é uma condição na qual os rins perdem progressivamente sua função ao longo do tempo. O mês de março é dedicado à conscientização desta doença, já que nossos amigos peludos também podem sofrer com ela. Só para se ter uma ideia, estima-se que a cada três gatos, um terá problema renal ao longo da vida, segundo a Nutripharme.
As causas podem variar, passando desde fatores genéticos e idade avançada, até infecções, pouca ingestão de água, doenças autoimunes, tumores e exposição a toxinas. Muitas vezes o tratamento visa retardar a progressão da doença e aliviar os sintomas, incluindo dieta especializada, medicamentos, fluidoterapia e cuidados de suporte.
Mais comum do que se imagina, a DRC é uma condição que acomete cães e gatos, sendo mais frequente em animais idosos, porém, pets mais jovens também podem apresentar essa doença – muitas vezes por conta de alterações genéticas. De acordo com Kauê Ribeiro, Médico-Veterinário da Vetnil®, empresa brasileira do setor veterinário e parceira de quem cuida, o diagnóstico precoce da doença é o melhor caminho para aumentar a longevidade e manter a qualidade de vida dos pets.
“A Doença Renal Crônica acomete uma parte muito maior dos cães e gatos do que imaginamos e costuma ser silenciosa nos estágios iniciais. Além disso, existem algumas condições ou enfermidades pré-existentes que contribuem para que ela se desenvolva. Por esses motivos, é de extrema importância adotar o hábito de consultas frequentes com o Médico-Veterinário de confiança, que fará avaliações e poderá solicitar exames para o diagnóstico e acompanhamento. A partir disso, muitas vezes é necessária a consulta de um especialista, tanto nefrologista quanto nutrólogo, para confirmação de diagnóstico, tratamento e acompanhamento clínico. Quanto antes descoberta, mais rápido é possível adotar medidas que controlem os sinais da doença e maiores são as chances de o pet viver por mais tempo, com uma rotina normal”, esclarece Kauê.
Ela pode ser classificada em quatro estágios, com sintomas iniciais comuns a outras doenças, o que, por vezes, pode não despertar a atenção dos tutores para algo que futuramente será mais grave. Os indícios podem começar com o aumento da ingestão de água (polidipsia) e volume e frequência de urina (poliúria), apatia, redução do apetite e, consequentemente, perda de peso, além de importante perda de massa muscular, evoluindo para outros sinais clínicos, como vômitos, úlceras orais e sinais neurológicos, que indicam um avanço considerável da condição.
Conheça o rim do seu pet
Os rins desempenham um importante papel na manutenção da saúde dos pets. O órgão é responsável por filtrar resíduos e toxinas do sangue, regular os níveis de fluidos e eletrólitos, e produzir hormônios essenciais para o equilíbrio do corpo.
Segundo Marina Tiba, médica veterinária gerente de produtos da Unidade Pet da Ceva Saúde Animal, os rins dos animais de estimação podem ser afetados por uma série de problemas de saúde, incluindo doença renal crônica, infecções renais, urolitíase, insuficiência renal aguda, nefropatia, doença renal policística, glomerulonefrite e toxicidade renal. Com origem multifatorial e silenciosa, as patologias renais muitas vezes só são diagnosticadas quando os sinais clínicos são mais evidentes.
A disfunção renal mais comum em cães e gatos é caracterizada pela dificuldade que os rins apresentam na hora de filtrar o sangue. Também podem ocorrer falhas na produção de hormônios e retenção de nutrientes importantes, o que atrapalha o funcionamento do organismo do seu animal. É preciso estar atento, pois muitas das vezes é silenciosa e nem sempre o pet sente dor, sendo uma patologia que pode vir assintomática e evolui aos poucos.
Joana Portin, médica-veterinária da Petlove e responsável pelo Programa de Doenças Crônicas da Petlove, explica que, de maneira geral, doenças renais podem ocorrer de forma aguda e de forma crônica. A aguda pode acontecer quando há intoxicações, lesões renais obstrutivas (por exemplo obstrução urinária) e em quadro graves de infecções. Já a doença renal crônica acontece por senilidade, ou seja, quando o rim do animal já adulto ou idoso perde a sua capacidade funcional.
Cães e gatos de qualquer porte, idade ou raça podem ter problemas renais, porém algumas raças podem desenvolvê-los com mais facilidade como: Beagle, Bull Terrier, Chow Chow, Cocker, Dachshund, Lhasa Apso, Maltês, Pastor Alemão, Pinscher, Poodle, Shar Pei, Shih Tzu, Schnauzer. Já entre as raças de gatos que costumam ser mais propensas estão: Abissínio, Azul Russo, Maine Coon, Persa e Siamês.
A Doença Renal Crônica, que pode atingir de 35% a 50% dos felinos de meia idade a idosos. “Os felinos costumam ter mais problemas renais, pois sua unidade funcional que auxilia na fabricação de urina (o néfron) é praticamente duas vezes menor que a de um cachorro. Além disso, a frequência de desenvolvimento de cálculos urinários também é mais comum em gatos, principalmente os machos, devido à sua anatomia (por terem os condutos urinários — ureteres — mais curtos e finos. Por isso, os felinos podem ter esse tipo de doença mais cedo e com maior frequência”, ressalta a especialista Joyce Lima.
Um dos principais aspectos do cuidado renal é o fornecimento de uma dieta balanceada e de boa qualidade. Além disso, é essencial garantir que os pets tenham acesso constante à água fresca e limpa, pois a hidratação adequada é fundamental para o funcionamento saudável dos rins.
A principal forma de prevenção de doenças renais é através de consultas de rotina. Exames veterinários regulares desempenham um papel fundamental na detecção precoce de problemas renais. Exames de urina, de sangue e de imagem podem fornecer informações valiosas sobre a função renal e ajudar o veterinário a identificar sinais precoces de doença renal. “Quanto mais cedo um problema renal for detectado, maior a probabilidade de tratamento bem-sucedido”, explica Marina.
A recomendação dos veterinários é que tutores levem seus gatos a partir de 6 meses de idade para a realização de exames anuais. Já a partir dos 11 anos, o ideal é que estes sejam feitos a cada seis meses. Apesar de incurável, a boa notícia é que a DRC pode ser controlada ao ser diagnosticada precocemente, garantindo a qualidade de vida dos bichanos.
7 formas de identificar doenças renais em pets
Para falar um pouco mais sobre como identificar os primeiros sinais da doença, Beatriz Pereira, veterinária corporativa dazazuu, startup que oferece serviços de saúde e bem-estar animal em pet trucks a domicílio e online, aponta quais são os principais sinais de alerta em relação à doença. Confira:
Mudanças nos hábitos urinários: atente-se a qualquer alteração nos padrões urinários do seu animal de estimação. Isso inclui aumento da frequência urinária, além da produção do xixi em pequenas quantidades ou com alterações na coloração. Urinar com sangue ou até mesmo fazer as necessidades fora do local correto, pode ser motivo de ligar o alerta e contatar um veterinário.
Alterações no apetite: aumento ou diminuição significativa na ingestão de água e no apetite podem indicar problemas renais. Animais de estimação com doença renal crônica muitas vezes têm sede excessiva devido à incapacidade dos rins de eliminar as toxinas acumuladas.
Perda ou ganho de peso: mudanças repentinas no peso do seu pet podem ser um sinal de alerta para levá-lo a um veterinário.
Vômitos frequentes: vômitos frequentes, especialmente se contiverem bile ou sangue, podem ser indicativos de doença renal crônica em estágio avançado. Isso ocorre porque os rins do animal não conseguem filtrar adequadamente toxinas do sangue, o que leva a um acúmulo prejudicial.
Pelagem opaca e sem brilho: uma pelagem que costumava ser brilhante e lustrosa, mas agora parece opaca e sem vida, pode ser um sinal de problemas renais. A saúde da pele e do pelo está intimamente ligada ao funcionamento adequado dos rins.
Letargia e fraqueza: animais de estimação com doença renal crônica muitas vezes exibem sinais de letargia, fraqueza e falta de interesse em atividades que antes os entusiasmavam.
Hálito com cheiro forte e desagradável: o hálito do seu pet pode fornecer pistas sobre sua saúde geral. Um odor forte e desagradável pode indicar que algo não está bem, especialmente se estiver associado a outros sintomas mencionados anteriormente.
Caso note alguns desses sinais ou sintomas em seu pet, é crucial consultar imediatamente um veterinário para uma avaliação completa. Quanto mais cedo uma doença renal crônica for diagnosticada, maiores serão as chances de gerenciamento e tratamento bem-sucedidos, para assim garantir uma vida longa e saudável ao seu companheiro. Em artigo publicado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), os sintomas clínicos, ou seja, aqueles que são visíveis, surgem apenas quando 75% da função renal estão comprometidos.
“A DRC é uma enfermidade que precisa ser acompanhada de perto. Com a evolução da doença, pode haver perda de proteína pelos rins, o que diminui a expectativa de vida do animal. Portanto, a identificação e o tratamento adequado são fundamentais”, afirma a dra. Karin Botteon, Gerente Técnica de Pets da Boehringer Ingelheim.
“Cada animal pode apresentar manifestações clínicas e necessidades específicas, demandando tratamentos individualizados, que somente um Médico-Veterinário é capaz de avaliar e prescrever. Conforme a doença avança, o pet precisa de acompanhamentos mais frequentes para que se faça a avaliação física, verificando seu peso, condição de massa muscular, deposição de gordura e nível de hidratação, além de exames laboratoriais, tanto de sangue como de urina, para se monitorar a progressão ou estabilidade da doença. Dependendo da condição do pet, pode existir a necessidade de internação para estabilização do quadro”, destaca Ribeiro.
Dessa forma, a adesão de um plano de saúde para o pet pode ser uma solução para evitar imprevistos e incentivar visitas periódicas ao veterinário. De acordo com dados da Petlove, pets com um plano de saúde realizam pelo menos 2,3 consultas por ano, já animais sem essa garantia fazem apenas uma ou nenhuma visita, se limitando a situações emergenciais.