Dia de Finados é reservado para relembrarmos dos nossos entes queridos, sejam ele humanos ou não humanos, veja como superar a dor da separação e como lidar com o preconceito do luto da partida dos bbpeludos que amamos.

Os animais de estimação são considerados por muitos como membros da família. O mesmo vínculo de amor, apego, cuidado, proteção e carinho que os seres humanos sentem entre si, também pode ser sentido por quem é tutor de um pet. Por causa disso, a partida dos pets é um momento de luto, mas também um processo que pode ser visto como “sofrimento sem sentido” por algumas pessoas.

Para a psicóloga, neuropsicopedagoga e coordenadora do curso de Psicologia da UNINASSAU Paulista, Márcia Karine Monteiro, a pessoa em luto precisa de acolhimento. “Nem todo mundo vai entender esse momento e muitos podem ter a sua dor ridicularizada, mas isso só torna o sofrimento pela perda ainda maior. Se alguém está triste há bastante tempo com a partida do seu animal de estimação, é bom procurar um psicólogo e fazer psicoterapia para lidar com essa angústia”, conta.

Acolher, escutar, respeita a dor e o tempo de luto da pessoa, incentivar pensar nos bons momentos que passaram juntos e reconhecer que deu e recebeu amor por esse animal são algumas das dicas dadas pela psicóloga. “Não é bom ouvir nesse momento que a pessoa deve parar de sofrer ou sugerir a adoção de outro animal como forma de substituição e remendo da dor. Uma pessoa não pode ser substituída por outra. Logo, um pet por outro também não. É importante olhar para dentro e aprender a lidar e superar essa fase de perda”, esclarece Márcia Karine.

Caso conheça alguém que está passando por esse momento difícil, seja gentil e indique a procura por um psicólogo. Cada um sente a dor de uma forma diferente.

Existem diferenças no processo de luto entre perder pessoas e animais?

Quem também opina sobre o assunto é a veterinária e terapeuta Dra. Melanie Marques, que a cerca de 2 anos perdeu sua companheira canina. “Perdi uma akita de 17 anos que nasceu em minha casa. Eu tinha 20 anos quando ela chegou, ou seja, convivi minha vida adulta inteira com ela. Quando comuniquei sua partida às pessoas, o que mais ouvi falar foram frases como ‘ah, mas já era velhinha, né?’, ‘isso logo passa e ficarão as boas lembranças’, e ‘ela parou de sofrer, está em lugar melhor que aqui.”

Foi ouvindo essas expressões típicas de situações de luto que Dra. Melanie lembrou da perda da mãe. “Ouvi basicamente as mesmas frases, e isso me confirma o quanto existe esta semelhança entre estes processos de luto”, compara.

Quando se fala na perda de um bicho de estimação, a veterinária lembra que um animal tem uma representatividade única. “Aquele amor preenche lacunas invisíveis na vida de seu tutor, e geralmente os sentimentos estão mais ligados à infância, aquela parte infantil e pouco conhecida que fica guardada no inconsciente da pessoa”. Além disso, “o animal pode suprir o afeto ou a presença de uma mãe ou um pai, pode simular os cuidados que a pessoa teria com um filho que ela não pôde ter, ou preencher o vazio de um casamento que vai mal ou as lacunas de uma solidão desconhecida pela própria pessoa”.

Diante disso, Dra, Melanie pondera que dizer adeus a um companheiro de quatro patas pode sim ser levado tão a sério como a morte de um ente querido. “Rituais de passagem, como velar o corpinho, se despedir, homenagear a vida daquele que dedicou sua vida a amar e brincar com seu tutor aqui na terra pode minimizar a dor, dando um espaço para a morte ser compreendida e um tempo para ser elaborada pela família. Inclusive as fases do luto, como negação, raiva, aceitação, por exemplo, são completamente normais quando se refere a perda de um animal”.

Quem também merece atenção especial nessas horas, reforça a terapeuta, são as crianças. “Explique a ela a morte do seu pet como uma passagem do mundo material para o espiritual, não minta a ela dizendo que o animal viajou ou simplesmente sumiu. Isso não vai ajudar em nada, e só pode piorar as coisas”.

Afinal, a banalização da dor de uma pessoa que sofre por um animal é cruel. “Fica um vazio na rotina, especialmente se esse bichinho demandava cuidados extras, como uma dependência humana para comer, andar ou fazer suas necessidades. Os afagos, os choros e arfados ausentes nos mostram uma pequena fração do que é a vida, que é a partida e a ausência silenciosa de quem amamos. Sentimos falta até das coisas que nos irritavam, pensamos se fomos bons pais, se poderíamos ter ido além, enfim, se poderíamos ter feito mais…”

“Meu conselho para quem está com seu pet é bem simples: Deite-se ao lado dele e veja o mundo da perspectiva dele. Converse e fale com ele, certo de que ele entenderá cada palavra. Se ele quiser cheirar, deixe ele. Se ele quiser correr, vá com ele. Viva os bons momentos com eles, afinal, eles vivem o presente”, completa Dra. Melanie.

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