Considerada um zoonose endêmica em todo o país, a Leishmaniose pode infectar não só cachorros, como também gatos e animais silvestres, além dos seres humanos. Muitas vezes fica assintomática, facilitando o contágio que se dá pela picada do mosquito palha. Veja como prevenir e tratar a leshimaniose antes que ela se torne fatal.

A leishmaniose canina é uma infecção causada por um agente infeccioso chamado Leishmania. Este micro-organismo faz parte do grupo dos protozoários. A transmissão acontece por meio da picada do “mosquito-palha” fêmea, que suga o sangue do animal.

Promastigotes of Leishmania parasite which cause leishmaniasis, 3D illustration

O inseto também é conhecido como tatuquira, cangalhinha ou birigui. Como tem de 2mm de tamanho – não é identificável a olho nu, é importante que se faça uso de tela mosqueteira, como proteção nos ambientes em áreas endêmicas.

No início, a doença é bem silenciosa e, sem a avaliação de um médico veterinário, os tutores podem não reconhecer que seu animal está com este problema de saúde. A leishmaniose afeta o organismo do animal e os protozoários se multiplicam, atacando as células que fazem parte do sistema imunológico.

A evolução da leishmaniose pode acarretar quadros mais graves, atingindo fígado, baço e medula óssea, por exemplo. Além disso, favorece o aparecimento de lesões na pele e pode levar o animal à morte. Por isso, é importante que o animal seja acompanhado por um médico veterinário e realize os exames periódicos.

A doença não acomete apenas cães. Os sinais clínicos nos cachorros, gatos, roedores, humanos e outros mamíferos podem variar dependendo da espécie de Leishmania, bem como do estado imunológico do paciente infectado. Em geral, são úlceras na pele, queda de pelo, aumento do fígado e do baço, crescimento excessivo das unhas e perda gradual de peso”, explica Dr. Wagner Araújo, médico veterinário e professor do curso de Medicina Veterinária do UNINASSAU — Centro Universitário Maurício de Nassau Recife, Campus Graças.

Já nos humanos, além do emagrecimento, aumento de tamanho de órgãos abdominais (fígado e/ou baço, hepato/esplenomegalia), pode haver febre de longa duração. Porém, em ambos os casos, as manifestações clínicas podem não aparecer, o que dificulta o diagnóstico e tratamento adequados.

“São dois tipos de cura: a clínica, com a remissão dos sinais clínicos e redução da carga infecciosa, e a parasitológica, com a eliminação completa do parasita. Esta última é a mais difícil. O tratamento é feito à base de medicamentos imunoterápicos e antiparasitários específicos. Para tratar os cães, só existe uma droga liberada no Brasil para uso médico veterinário. Já em humanos, os cuidados podem ser realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, Wagner explica.

Para a prevenção da doença, é importante que as pessoas mantenham os espaços livres de folhas, fezes de animais e restos de comida, pois as fêmeas do inseto-vetor colocam seus ovos no acúmulo desses elementos, gerando novos mosquitos transmissores. Além de ser imprescindível o uso de coleiras ou pipetas repelentes nos animais.

Leishmaniose visceral tem 3,2 mil novos casos em humanos por ano e para cada pessoa afetada, há 200 cães infectados 

Cerca de duas pessoas morrem a cada três dias em razão da doença, sendo que uma pessoa foi diagnosticada com leishmaniose visceral a cada cerca de 3 horas no Brasil nos últimos 10 anos, de acordo com o Ministério da Saúde.

E para cada caso em seres humanos, estudos indicam que existam 200 cães infectados. “Foram 31.585 casos notificados em pessoas na década. Isso significa que foram mais de 630 mil cães doentes em cada ano”, ressalta o médico-veterinário Jaime Dias, gerente técnico e de marketing de animais de companhia da Vetoquinol Saúde Animal – uma das 10 maiores indústrias do mundo no setor.  

Com o total de casos registrados na década, o Brasil poderia ter tido até 7 milhões de cães infectados. Para se ter uma ideia, o país tem cerca de 54 milhões de cães, de acordo com estimativa do IBGE. Nesse cenário, 12 em cada 100 animais estariam com leishmaniose visceral.

As estatísticas são consideradas subestimadas, já que para cada registro confirmado em cães, outros 5 animais podem estar assintomáticos.

Todos os estados brasileiros apresentam casos da doença. Contudo, cinco somam cerca de 60% das ocorrências registradas na última década. São eles: Maranhão (14,24% do total), Minas Gerais (12,94%), Ceará (12,38%), Pará (9,66%) e Bahia (9,10%). Há, ainda, mais de 1 mil casos em outros cinco unidades da federação: Piauí (2.847), Tocantins (1.826), Mato Grosso do Sul (1.764) e Pernambuco (1.384).  Em 2021, período ainda não contabilizado pelo Ministério da Saúde, houve confirmação de casos da doença em outras localidades, como Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Para conscientizar sobre a prevenção dessa grave enfermidade nos pets, foi criada a campanha Agosto Verde. “O mosquito-palha está presente em todos os estados e se alimenta de sangue, picando cães e pessoas. Esse modus operandi ajuda na transmissão da doença de uma espécie para a outra”, detalha o especialista em doenças infectocontagiosas dos pets. 

“É importante ressaltar que o animal não transmite a doença diretamente para o tutor, explica a médica veterinária e gerente de produtos da Unidade de Pets da Ceva Saúde Animal, Priscila Brabec.

Endêmica em mais de 76 países, esta zoonose afeta vários animais, inclusive gatos

Com mais de 12 milhões de pessoas infectadas em nível mundial, a Leishmaniose, também popularmente conhecida como Calazar, é considerada a segunda doença parasitária que mais mata no mundo e segundo estudos recentes infecta, além dos cachorros, gatos e outros animais.

“Os cães são considerados os principais reservatórios da doença para o ser humano, mas não são os únicos: a doença também pode se instalar em animais silvestres, como quati, gambá; roedores, como capivara; mamíferos, equinos e, inclusive em gatos, os quais eram considerados refratários, mas estudos recentes mostram o contrário”, conta o médico-veterinário, professor de doenças parasitárias dos animais domésticos da Universidade de Franca e franqueado da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Dr. Rafael Paranhos de Mendonça.

A leishmaniose visceral é endêmica em 76 países e, no continente americano, está descrita em pelo menos 12. Dos casos registrados na América Latina, 90% ocorrem no Brasil. E mais: está entre as dez principais doenças tropicais negligenciadas, uma vez que nem sempre sua notificação – que é obrigatória – é devidamente realizada pelo médico-veterinário à Vigilância Sanitária local.

“Assim, a leishmaniose tem se alastrado e o impacto é muito grande, tanto nos animais, quanto nos seres humanos”, alerta o médico-veterinário, lembrando que a doença pode ser fatal e, na maioria dos casos, o tratamento tem efeito sobre os sinais clínicos, podendo não acontecer a eliminação do parasito do corpo.

“O mosquito-palha começa a picar ao entardecer. Então, nas regiões conhecidamente endêmicas, é interessante que cães fiquem em canis telados, após esse horário, além de colocar tela em toda a casa, para a proteção dos animais que compartilham o espaço com os humanos. Coleiras inseticidas e repelentes próprios para animais também são boas formas de prevenção”, indica Dr. Rafael.

O diagnóstico definitivo da leishmaniose é confirmado com a punção de linfonodo, fígado, baço ou líquor da medula espinhal. “Também temos a opção de teste rápido, para fazer a triagem, além da sorologia e do PCR real time. Mas o mais importante é, em casos suspeitos da doença, fazer o diagnóstico confirmatório o quanto antes”.

Apesar da evolução no tratamento, não existe garantia da eliminação do parasita. A cura é clínica; os sintomas diminuem, somem, mas podem voltar. O importante é fazer o diagnóstico e seguir rigorosamente o tratamento e as orientações do médico-veterinário.

Vacina para cães foi suspensa em julho

Em em julho desse ano, a fabricação e venda da única vacina para a proteção da leishmaniose em cães foram suspensas. Esse assunto gerou muitas dúvidas nos tutores e profissionais do setor, deixando-os preocupados com a possibilidade de os pets ficarem suscetíveis a doença.

No entanto, segundo Kathia Almeida Soares, médica-veterinária e coordenadora técnica pet da MSD Saúde Animal, a principal forma de prevenção é a utilização de inseticida tópico com propriedade repelente, como o uso de coleira antiparasitária. Confira abaixo informações sobre a doença e esse importante método de prevenção.

De acordo com o Brasileish e o Leishvet, o método primário de prevenção da infecção por Leishmania infantum em cães é por meio do uso de inseticidas tópicos com propriedade repelente, como os produtos à base de piretróides sintéticos. A vacina é uma medida adicional indicada como forma de proteger os animais soronegativos. Contudo, é importante enfatizar que ela não substitui o uso dos inseticidas tópicos”, explica Kathia.

Além disso, outras medidas preventivas são essenciais, como evitar passear com o cão ao entardecer e à noite, quando o mosquito transmissor é mais ativo, e seguir sempre as orientações do médico-veterinário, que é o profissional que vai fornecer todas as informações e cuidados que o tutor precisa para preservar a saúde do cão e de toda a família.

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