O inverno chegou oficialmente no hemisfério Sul e prepararmos um guia completo para você proteger o seu bbpeludo e dar uma forcinha para os animais de rua

Apesar de os animais terem uma temperatura mais elevada que a humana – entre 2 e 3ºC a mais – e de os pelos manterem os bichinhos mais aquecidos naturalmente, os cuidados neste período devem ser redobrados.

“A diminuição da temperatura pode causar hipotermia, quando o pet apresenta média corporal inferior a 37ºC. Os sintomas desse quadro são: hipotensão, falta de oxigênio, diminuição da frequência cardíaca, tremores, perda de consciência e rigidez muscular”, avisa Karina Mussolino gerente-técnica do Centro Veterinário Seres, do Grupo Petz.

Assim como os humanos, os pets podem sofrer com o frio e a baixa umidade do ar, desenvolvendo doenças respiratórias, além de sofrer com doenças articulares que causam desconforto e dor, especialmente em dias mais frios.

A veterinária e terapeuta Dra. Melanie Marques, alerta que “alguns sintomas encontrados nos cachorros, por exemplo, são secreção nasal, olhos lacrimejantes e falta de apetite revelam que a saúde deles está sendo afetada de alguma maneira pelo clima”.

Já nos gatos “podem apresentar sintomas como desidratação, febre e podem até apresentar secreção nasal, secreção ocular, falta de apetite, apatia e dificuldade de respirar e espirros”.

Doenças mais comuns em animais no inverno

Gripe

Segundo Hebert Justo, sócio e diretor médico veterinário da +Pet, os cães são mais suscetíveis à gripe do que os gatos no inverno, e as raças que mais correm risco são as que já têm alguma dificuldade respiratória natural, como Shih Tzu, Buldogue e Pug.

No caso dos cães, doenças do trato respiratório como Influenza Canina e a traqueobronquite infecciosa (“tosse dos canis”), podem afetá-los durante o período mais frio.

“Causada por um tipo específico do vírus da influenza (que também causa gripe em humanos), a Influenza é uma doença de baixa mortalidade, mas com alta disseminação, que pode causar tosse, espirros, falta de apetite e letargia, além coriza. Já a “tosse dos canis”, como popularmente é chamada a traqueobronquite infecciosa é facilmente disseminada entre os cães e atinge a traqueia e os brônquios, causando uma tosse persistente, seca e falta de ar que tendem a piorar no período da noite. Ambas as doenças podem evoluir para um quadro de pneumonia, comprometendo ainda mais a saúde e bem-estar do pet, por isso é fundamental consultar um médico veterinário ao notar qualquer mudança no comportamento ou no estado de saúde do pet”, afirma a médica veterinária e Coordenadora de Conteúdo da Petlove, Jade Petronilho.

Os sintomas de gripe em pets são basicamente os mesmos do humanos: espirros, coriza, tosse com muco, perda de apetite, prostração e febre. “É difícil para o tutor identificar a febre no animal, mas se ele está mais prostradinho, quietinho e, ao mesmo tempo, ofegante, com movimentos respiratórios rápidos, pode ser febre”, explica Justo.

Também como em humanos, a gripe sem tratamento adequado nos bichinhos pode evoluir para problemas respiratórios mais sérios. Por isso, o diagnóstico da doença deve ser feito por um especialista, que vai realizar os exames necessários para identificar o vírus e indicar o tratamento. Então, ao notar os sintomas no seu pet, o ideal é procurar um veterinário.

Entre as dicas de prevenção estão rotinas simples do dia a dia, como não permitir que durmam em pisos frios, em especial durante a noite, quando a queda da temperatura é maior; ter sempre disponível uma caminha ou tapete com cobertor para que eles possam ficar quentinhos e evitar, principalmente nos dias gelados, atividade físicas em excesso ao ar livre.

Artrite e Artrose

“Em temperaturas baixas, para manter o corpo aquecido ocorre uma maior contração da musculatura, o que pode sobrecarregar as articulações e caso o animal apresente alguma lesão osteoarticular ou tenha sofrido alguma fratura, geralmente são os que mais sofrem no período frio”, explica o médico veterinário Jaime Dias, gerente técnico e marketing de animais de companhia da Vetoquinol.

Esse é apenas um fator. As articulações possuem um certo tipo de lubrificante, o líquido sinovial, que fica mais espesso na ausência do calor. Segundo o médico veterinário da Vetoquinol, essa situação causa a limitação dos movimentos. Em consequência, o esforço para atividades cotidianas do pet é afetado e agravado pela intensidade das dores.

“As dores articulares e musculares em consequência do aumento da contração, podem ser consideradas graves, porque os cães geralmente sofrem em silêncio. Por isso, é importante que o tutor fique atento a determinados sinais, como dificuldade para andar ou andar mancando, subir e descer escadas, falta de vontade de passear e brincar, mudança de comportamento e aumento de peso. Identificados esses sinais, deve-se procurar um especialista”, diz Jaime Dias.

A osteoartrose é uma enfermidade crônica que pode acometer cães de todas as raças, porém mais frequente nos animais mais velhos, que devem ser foco de atenção. O cuidado também deve ser redobrado em cães com lesões traumáticas ou que passaram por procedimentos cirúrgicos, pois essas situações podem representar um grande desconforto e precisar de suporte terapêutico com o uso de antinflamatórios.

Procurar o médico veterinário e iniciar tratamento rápido são as melhores formas de evitar o sofrimento dos cães. Afinal, reduzindo a inflamação – e a dor –, a estabilização da enfermidade ocorre de forma menos dramática, mantendo o bem-estar e a qualidade de vida dos animais.

Quase ninguém percebe, mas os gatos também podem sofrer – e muito – com as dores articulares, especialmente aqueles que vivem correndo e pulando para todos os cantos e os que estão mais gordinhos e acabam sobrecarregando suas articulações.

“Não é raro que os gatinhos deixem de usar a caixa de areia por conta de dores articulares, que causam incômodo ao fazer o movimento típico de entrada na caixa”, alerta Dra Jade Petronilho.

Caso seu pet esteja com sobrepeso e/ ou já tenha um histórico de artrite ou artrose, por exemplo, siga as orientações médicas à risca e cuide para que a casa fique sempre numa temperatura agradável.

O professor de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Bruno Alvarenga, também indica o uso de suplementos e vitaminas, como o colágeno tipo dois para cães e gatos com desordens osteoarticulares.

Além do uso de ômega três também pode ajudar a prevenir desconfortos articulares. “O Ômega Três também é benéfico para a saúde da pele dos animais, que pode ficar ressecada devido à baixa umidade durante o frio. A oferta de uma ração de boa qualidade também é fundamental”. Outro aspecto importante destacado pelo professor do CEUB é a necessidade de manter as vacinas em dia para evitar doenças diversas.

Dermatite Atópica

Ricardo Cabral, veterinário da Virbac, explica que “justamente pelo fato de o cão passar mais tempo dentro de casa, ele pode ficar ainda mais exposto a fatores alérgenos da dermatite atópica, como a poeira. Os banhos, que tendem a ficar mais quentes, também podem ser prejudiciais, desencadeando a coceira e consequentemente uma pele com aspecto ressecado e até mesmo escamosa. Por se tratar de uma doença crônica, o tratamento e atenção aos cuidados do dia a dia são fundamentais para manter a qualidade de vida do bichinho, principalmente nessa época”, comenta.

Segundo Cabral, uma parte importante do tratamento consiste em oferecer elementos que ajudem na reconstituição da função de barreira da pele, como shampoos hidratantes e óleos essenciais.

Em muitos casos, é muito importante também o uso de medicamentos que diminuam a ação do sistema imune, geralmente hiper-responsivo nesses casos. “Já existe no mercado brasileiro um tratamento à base de ciclosporina, considerado um princípio ativo de alta eficácia no tratamento da dermatite atópica canina. Trata-se de uma alternativa importante, pois as dermatites atópicas são consideradas doenças crônicas, ou seja, que demandam tratamento contínuo.”

Diferentemente dos corticoides, que também são usados com tratamento, mas causam diversos efeitos colaterais, a ciclosporina possui nível muito baixo de efeitos colaterais e apresenta resultados rápidos. “Em 3 a 4 semanas, a aparência da pele e lesões já melhoram, sendo possível, após esse controle inicial, uma redução na frequência de administração do medicamento, conforme a resposta de cada cão”, finaliza o médico veterinário.

Otite

Outra doença que causa mal-estar nos cachorros durante os dias mais frios e causa uma dor de ouvido intensa, é a otite . Quando não tratada adequadamente, ela pode causar problemas graves como alterações no equilíbrio e surdez.

“Existem vários tipos de otite e é fundamental realizar exames para saber como tratar adequadamente cada caso. Em geral, as otites causam mau cheiro e inflamação dos ouvidos, o que também compromete o bem-estar do pet, que pode ficar chacoalhando a cabeça e se coçando de forma insistente para tentar aliviar todo o incômodo. Otites não ocorrem somente quando o clima está mais frio, por isso é fundamental estar sempre atento aos sinais que nossos cães nos dão’‘, indica Jade.

Rinotraqueíte

A rinotraqueíte é mais comum entre os gatos que possuem vida livre, não estão vacinados e possuem contato indiscriminado com outros animais ou que vivem aglomerados, sem controle higiênico adequado.

Mesmo assim, gatos que têm uma casa precisam de cuidados para não se contaminarem. “Evite ao máximo que eles fiquem expostos a uma área onde outros gatos, sejam do vizinho ou da rua, possam circular. O contato com fluídos corporais de um gato contaminado pode causar sintomas como espirros, falta de apetite, secreção nasal e ocular e febre. Lembre-se que os gatos costumam não deixar muito claro quando algo não vai bem com eles, por isso, estar sempre atento e manter a carteirinha de vacinação em dia é muito importante para evitar a doença”, explica Jade.

“A doença pode ser prevenida por meio das vacinas tríplice, quádrupla ou quíntupla, que pode ter a primeira dose administrada a partir de oito semanas de vida, seguida por duas outras doses com intervalos de 21 a 30 dias e com reforço anual. Dependendo do estilo de vida do pet, o médico veterinário que o acompanha poderá fazer algumas alterações no esquema vacinal, por isso é tão importante ter um profissional que acompanha o pet durante toda a vida” complementa.

Asma e bronquite felinas

Gatos também podem sofrer com a asma, doença que atinge os brônquios causando tosse, dificuldade respiratória, espirros, intolerância às atividades físicas, entre outros. “A asma pode acometer qualquer gato, porém alguns estudos apontam os siameses como mais acometidos pelo problema”, alerta.

A bronquite felina, normalmente crônica, costuma ser ocasionada pela inalação de produtos que causam “irritações” aos brônquios, como aerossóis, pólen, fungos e outros tipos de alérgenos.

Tosse crônica e um comprometimento irreversível dos brônquios caracterizam essa doença que a longo prazo tende a comprometer a qualidade de vida do pet. “Quando levar seu pet para as consultas de rotina, converse com o médico veterinário que o acompanha sobre a realização de exames de sangue e de uma radiografia torácica, que poderá indicar se o gatinho possui alterações em seus pulmões”, afirma Jade.

“Conhecer bem o seu pet, conseguir identificar quando algo não vai conforme o esperado e realizar um acompanhamento junto ao médico veterinário pelo menos duas vezes ao ano faz com que nossos animais estejam sempre com a saúde em dia, o que reflete no bem-estar e qualidade de vida dos peludos. Durante as épocas de frio, mantenha seu pet dentro de casa e ofereça a ele artifícios para que possa se esquentar, como caminhas, cobertores e até roupinhas, em casos em que o cão já está adaptado a utilizar esse tipo de produto”, conclui Jade.

Pode dar banho em pets no inverno?

Na temporada da seca, Alvarenga frisa ser importante reduzir a frequência de banhos nos cães e gatos, além de aumentar a ingestão de água e utilizar umidificadores pela casa para garantir a umidade adequada do ambiente.

Dra. Débora de Souza, veterinária especialista em dermatologia do Hospital Veterinário Taquaral (HVT) de Campinas explica que “o recomendado é dar o banho em petshop para que ele possa ser seco inteiramente, já que em casa não costumamos ter a metodologia e os equipamentos profissionais. E se for um cão com pouco acesso a rua, não há problema em espaçar os banhos neste período mais frio, caso o tutor não faça questão do odor característico do animal”.

Ricardo Cabral, enfatiza que durante o inverno acontece a troca de pelo, então manter a tosa regular pode interferir na termorregulação dos cães; ainda mais se o cão já for idoso ou se ficar em áreas externas. “Se possível, prefira adiar a tosa para o período mais quente do ano, já que os pelos do animal ajudam a proteger contra o frio”.

Como saber seu meu pet está com frio

Segundo a Médica-Veterinária e Gerente de Comunicação Científica da ROYAL CANIN®️, Natália Lopes é preciso ficar atentos aos tremores visíveis, encolhimento, patas levantando repetidamente ou tentativa constante de recolhê-las. Uma boa regra geral é: se a temperatura estiver muito fria para você, o mesmo valerá para o pet.

Como proteger meu pet do frio

Dependendo das características do seu pet, o uso de roupinhas de frio poderá sim amenizar a sensação térmica das baixas temperaturas. Mas é importante ficar atento à reação do seu pet.

Gatos, por exemplo, dificilmente ficam confortáveis com o uso de roupas. Nesses casos, respeite o conforto do animal e busque por alternativas de aquecimento. Outro ponto importante sobre o uso de roupas é manter os pelos do seu pet livres de nós que podem aparecer com o atrito. Portanto, nada de uso contínuo. Escove seu pet diariamente e aproveite este momento para estreitar seus laços com ele.

Outra dica é manter a caminha que ele está acostumado e adicionar uma coberta ou mantinha que possa manter o ambiente mais aquecido e aconchegante.

Além disso, não deixe de fazer os tradicionais exercícios com seu pet, mesmo que ele pareça mais preguiçoso. Exercício é também o momento de lazer e a manutenção do peso dos animais é super importante.

Nayma Picanço, coordenadora e professora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera aconselha inclusive que após cada passeio, lave e seque bem as patas do seu pet para remover qualquer resíduo e prevenir irritações ou ferimentos. Se necessário, utilize botinhas próprias para cães, especialmente em superfícies geladas. 

Ofereça água e também a deixe sempre disponível. Mesmo com um clima mais frio, é importante incentivar os animais a beberem água para garantir a hidratação. Espalhe bebedouros ou tigelas pela casa e inclua na dieta do pet alimentos úmidos como os tradicionais sachês, que garantem que eles tenham uma boa ingestão hídrica ao mesmo tempo que nutricional, e deixam o alimento ainda mais atrativo.

Para quem tem um pet que fica fora da casa, Dra. Melanie lembra que o conforto térmico também é essencial para seu bem-estar: “Coloque mantas, cobertas ou até se for possível vista eles com roupas para evitar que eles fiquem ao relento no frio. Por mais que eles tenham pelos, eles também sofrem com as temperaturas mais baixas”.

“Proteja a casinha com um cobertor grosso por cima do telhado, por exemplo, vai ajudar a aquecer a parte interna. Outra dica valiosa e que pode fazer a diferença é observar se o lugar em que o cão descansa fica próximo de umidade ou possui correnteza de vento. Em caso positivo, durante o inverno, a cama precisa ser alocada em outro ambiente” lembra Ricardo Cabral.

Como ajudar os animais de rua no inverno

As campanhas do agasalho são importantes tanto para nós, quanto para os animais desamparados. Procure uma em sua região. Separe as roupas que já não cabem mais no seu pet, antigas camas e casinhas. Cobertores também são bem-vindos. Se não encontrar uma campanha de arrecadação, vá aos abrigos e lares provisórios.

Uma boa dica para socorrer animais de rua, é também forrar os locais onde normalmente dormem com jornais e providenciar abrigos como caixas de papelão em locais de pouco movimento humano para que não fiquem vulneráveis à violência.

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