Conheça as causas, tratamento e como prevenir a Doença Renal Crônica que atinge cerca de 1 a cada 3 gatos e 1 a cada 10 cães ao longo da vida e é uma das principais causas de morte dos pets, principalmente entre os mais velhos.

Difundida no mundo inteiro, a campanha do Março Amarelo foi idealizada com o intuito de conscientizar os tutores sobre a ocorrência da insuficiência renal em pets, principalmente a doença renal crônica (DRC), que acomete com frequência cães e gatos.

Além disso, busca reforçar a importância das visitas frequentes ao veterinário, como forma de prevenir e antecipar a ocorrência desses quadros.

Com o aumento da expectativa de vida, essas doenças estão mais frequentes, com uma prevalência maior em gatos.

Em geral, os gatos têm o hábito de beber pouca água, o que acaba contribuindo para o aparecimento da doença renal, prejudicando o bom funcionamento dos rins e vias urinárias.

Os hábitos saudáveis ajudam a diminuir os riscos da doença renal. Assim como os seres humanos, os pets também precisam que os rins estejam saudáveis para que o restante do organismo funcione corretamente.

Sintomas

Os principais sintomas da doença renal crônica são muita sede e aumento da ingestão de água, aumento da frequência de micção e volume da urina, indisposição, falta de apetite, emagrecimento, vômitos ou diarreia com sangue e mau hálito”, aponta o médico veterinário Dr. Flavio Silva, supervisor de capacitação técnico-científica da PremieRpet®.

Importante ressaltar que os sinais clínicos, geralmente, aparecem quando a doença já está em estágio mais avançado, quando os rins estão com quase toda a capacidade de funcionamento comprometida.

Isso porque, antes desse estágio, os sintomas não são visíveis clinicamente, somente através de exames de sangue ou de imagem.

Causas

De acordo com a veterinária Camila Eckstein, responsável técnica da Bioclin Vet, alterações renais podem ter diferentes causas nos animais.

As disfunções renais acometem cães de idade avançada, com doenças genéticas, infecções (como a leptospirose e leishmaniose ou por parasitas), alterações cardíacas e intoxicação”, explica.

“Entre as causas que podem estar envolvidas no acometimento renal dos felinos estão: ocorrência de infeções urinárias recorrentes, alterações no sistema cardiovascular, neoplasias, obstruções na uretra (por cálculos renais), idade avançada, ingestão de substâncias tóxicas, predisposição genética e a ingestão de alimentos desbalanceados” afirma a profissional.

Alguns alimentos também podem parecer inocentes, mas na verdade são perigosos se consumidos pelos animais, como uvas e passas, chocolate, alho, cebola, cebolinha, chá e café, assim como flores como o lírio.

Raças que mais tem doença renal crônica

A doença renal crônica pode ter origem congênita ou adquirida. Por isso, algumas raças de gatos e cães podem ser mais propensas a desenvolver problemas renais, principalmente quando associada a anormalidades hereditárias.

Camila afirma que as doenças renais podem ocorrer em animais de qualquer espécie e de qualquer raça, mas existem raças com maior predisposição.

Os gatos são naturalmente mais predispostos à ocorrência de doença renal e de acordo com a Sociedade Internacional de Interesse Renal (IRIS) nas raças Persa, Abissínio, Siamês, Ragdoll, Birmanês, Azul Russo e Maine Coon a doença é diagnosticada com maior frequência.

A mesma associação indica que as raças caninas Shar Pei, Bull Terrier, Cocker Spaniel Ingles, Cavalier King Charles Spaniel, West Highland White Terrier e Boxer são acometidas com maior frequência por esta patologia.

A doença pode ocorrer em qualquer idade nos cães e gatos, no entanto, é mais frequente em animais mais velhos, a partir de 6 ou 7 anos de idade.

Além da idade, a ocorrência de doença renal em machos castrados é considerada mais comum no que nas fêmeas felinas.

O papel da água

Água fresca e de qualidade é essencial para que, junto à ração de qualidade, a nutrição do animal esteja completa.

O organismo do pet não funcionará corretamente se ele não fizer a ingestão necessária de líquidos durante o dia.

A falta de água pode diminuir a quantidade de urina produzida, que é essencial para carregar os metabólitos produzidos pelo organismo.

Se o animal não ingerir água na quantidade adequada, os rins podem ser danificados por este jejum com o passar do tempo.

Os rins são muito importantes porque removem metabólitos tóxicos do sangue, além de manter o equilíbrio de fluidos e eletrólitos no organismo.

Uma vez que tenham ocorridos danos aos rins, as consequências normalmente são irreversíveis.

Diagnóstico

O diagnóstico precoce aumenta a expectativa de vida dos animais. Quanto antes for diagnosticado o problema, maior é a possibilidade de prolongar a vida do paciente“, diz o médico veterinário Alexandre Daniel, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto e consultor do Março Amarelo, lembrando que cerca de 50% dos gatos idosos no Brasil já apresentam algum grau de disfunção renal.

É preciso atenção redobrada por parte dos tutores, já que a DRC apresenta sintomas apenas em estágio avançado, quando os rins já estão com 75% de suas funções comprometidas — o que torna os check-ups periódicos fundamentais para a identificação da doença em fase precoce e o tratamento adequado, evitando assim o sofrimento do animal.

Uma vez o problema identificado, o médico-veterinário irá prescrever um tratamento que inclui, além de medicamentos específicos, uma alteração na dieta do pet.

O pet é considerado doente renal crônico quando as alterações nos exames são persistentes por mais de três meses ou quando ocorrem alterações de forma abrupta, como nas doenças renais agudas.

Essas doenças devem ser controladas e diagnosticadas o quanto antes, por meio de exames de sangue, urina e de imagens, para evitar o comprometimento cardiovascular, esquelético, neurológico, hematopoiético e digestivo.

Em sua grande maioria, as doenças possuem uma fase silenciosa, sem apresentar sintomas. Mas diagnosticadas e tratadas em fase inicial, há mais chances de sucesso e menos riscos de agravamento, além de, em alguns casos, reduzir o tempo de tratamento, de acordo com a enfermidade”, afirma a Dra. Larissa Seibt, do Centro Veterinário Seres.

Tratamento da Doença Renal Crônica em pets

A doença renal crônica não possui cura e têm potencial de evolução constante, além de degenerar a saúde do pet.

Entretanto, caso seja detectada em estágio inicial, o tratamento é menos invasivo e a doença pode ser controlada, permitindo que o animal de estimação tenha uma qualidade de vida muito próxima do normal.

Quando a enfermidade já está instalada, é necessário que, junto com o tratamento personalizado, o pet receba um alimento especial, que deve ser receitado pelo médico-veterinário.

A alimentação é um importante coadjuvante no tratamento, ajuda a diminuir a progressão da doença e proteger o tecido renal.

Para um animal com doença renal o tratamento utilizado baseia-se, na maioria das vezes, em terapia de suporte, porque a doença renal tem perfil progressivo e degenerativo.

É importante ressaltar que a terapia é dependente da causa, e a avaliação do veterinário é essencial, assim como, são necessários o acompanhamento médico e o ajuste do tratamento ao longo da progressão do quadro clínico”, reforça Camila.

Os avanços da Medicina Veterinária ao longo das últimas décadas contribuíram para que o tratamento da doença ajude a minimizar as consequências metabólicas que ocorrem no organismo do pet, com o objetivo de promover qualidade de vida ao paciente e retardar a progressão da doença.

Ainda assim, é preciso atenção e avaliação detalhada do Médico-Veterinário na rotina clínica, para um diagnóstico precoce e uma melhor conduta.

A nutrição é ponto-chave no tratamento da doença, pois, apesar de seu caráter irreversível, a progressão da lesão renal e os sinais clínicos que debilitam o paciente pode ser minimizados pelas modificações dietéticas. A ingestão adequada de nutrientes fornece suporte à função renal, ajuda a minimizar efeitos negativos da uremia; além de contribuir para a adequada ingestão de calorias e manutenção do peso”, completa Priscila Rizelo, coordenadora de comunicação científica da Royal Canin Brasil.

Segundo Flávio, a mudança na dieta do pet é muito importante para minimizar os sintomas da doença e oferecer qualidade de vida. “A alimentação também ajuda a proteger o tecido renal que ainda permanece saudável”, afirma.

Os alimentos específicos para cães e gatos com doença renal contêm formulação equilibrada, com teor reduzido de fósforo, altos níveis de ômega 3, baixo teor de sódio, alto teor de potássio, entre outros elementos.

Mas vale lembrar que esses alimentos devem ser adotados apenas sob prescrição e não substituem o tratamento convencional, atuando como coadjuvantes.

A ingestão adequada de água também é imprescindível para manter a saúde do trato urinário.

Água limpa e fresca deve estar sempre disponível ao animal, e o tutor precisa ficar constantemente alerta, já que o doente renal crônico pode ficar desidratado facilmente”, conclui o especialista.

Para aqueles pacientes com maior dificuldade de ingestão hídrica, exemplo dos felinos, boas alternativas para auxiliar são a compra de uma fonte de água corrente, além da introdução de alimento úmido.

De acordo com Alexandre Daniel, a DRC é tradada por estágios, que variam de 1 a 4. “O paciente que é diagnosticado no estágio 2 tem uma sobrevida média de cinco anos. Já no caso do paciente que é diagnosticado no estágio 3, a sobrevida cai para dois anos. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais prolonga a vida do animal”, afirma o especialista.

A recomendação dos veterinários é para que os gatos de meia idade, a partir dos 10 anos, façam os exames uma vez ao ano. A partir dos 14 anos, a cada seis meses. Caso haja alterações nos resultados ou o animal apresente algum tipo de sintoma, como perda de peso, ingestão excessiva de água ou aumento do volume de urina, é necessário procurar um profissional especializado para entender o melhor tratamento, que é feito caso a caso.

Como prevenir a Doença Renal Crônica em Pets

Para Carla Coiro, coordenadora de desenvolvimento de produtos pet da Vetnil, a principal forma de prevenção é o diagnóstico precoce por meio do acompanhamento veterinário, o que permite a instauração do tratamento mais adequado, conferindo bem-estar e longevidade aos animais acometidos.

O veterinário não irá impedir que o pet desenvolva a doença, porém ele poderá realizar exames específicos que diagnostiquem o problema antecipadamente e, com isso, indicar o tratamento necessário desde cedo, impedindo a evolução da doença, que é progressiva e pode ser fatal“, afirma.

A recomendação dos veterinários é que os tutores levem seus gatos a partir de 6 meses de idade para a realização de exames anuais. Já a partir dos 11 anos, o ideal é que estes sejam feitos a cada seis meses.

Para prevenir a doença renal, a veterinária Camila Eckstein destaca que os tutores devem adotar estratégias que estimulem a ingestão de água, principalmente para os felinos, e evitar o contato de substâncias ou plantas que possam causar a intoxicação do animal.

Além de dietas balanceadas ou adequadas a condição do cão ou gato como, por exemplo, as rações com indicação para animal castrado, obeso e doença renal já diagnosticada.

A especialista ainda lembra que dietas com alto teor proteico podem predispor a ocorrência de doença renal crônica nos gatos, principalmente, quando acompanhadas por redução nos níveis de potássio e no aumento nos níveis fósforo da dieta.

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